Doar dentes poderá ajudar pacientes com doenças sem cura

As células-tronco, que podem ser a chave para a cura de dezenas de doenças, são encontradas na polpa dos dentes de leite.

As pesquisas estão em andamento, mas trata-se de uma possibilidade promissora, dada a facilidade e os baixos custos para consegui-las. “Como os resultados das novas pesquisas estão sendo muito favoráveis, pode ser que, no futuro, esse tipo de coleta nas universidades seja aberta a doadores voluntários”, comenta Dóris Rocha Ruiz, uma das autoras do livro O “troca-troca” dos dentinhos, da Santos Editora.

Na obra, as autoras mostram para as crianças a importância da doação dos dentes de leite, um gesto simples, mas que pode ser extremamente importante para o desenvolvimento da ciência e, futuramente, para a vida de pessoas que sofrem com doenças que não têm cura, como a tetraplegia. A autora ressalta que por enquanto o uso das células-tronco obtidas a partir de dentes de leite está restrito às pesquisas nas universidades e os dentes de leite são coletados no local onde a pesquisa está sendo realizada.

Embora o uso de dentes de leite em pesquisas genéticas seja bem novo, a jornalista Lídia Procópio, de 37 anos, ia conversar com a filha Sofia de Castro, de 7, para doá-los. A menina começou a trocar a dentição no ano passado e guarda os dentinhos que caíram em uma caixinha no formato de um dente. Quando o primeiro dente caiu, Sofia sem querer o cuspiu e ele passou pelo ralo da pia. Diante da importância simbólica do momento, o pai da menina, o engenheiro Mário de Castro, de 41, não poupou esforços para recuperar o dentinho. “Ele tirou o sifão da pia e conseguiu achá-lo. Era o primeiro e não podia, literalmente, ir por água abaixo”, lembra Lídia. O cuidado com os dentes é parte da rotina da menina, que faz a higienização pelo menos três vezes ao dia.

Os dentinhos de Sofia não podem mais ser usados na pesquisa de células-tronco, mas podem ir para o Banco de Dentes Humanos. No livro, Dóris também fala da importância da doação dos dentes de leite para esse tipo de banco. “Os dentes que amoleceram e caíram naturalmente ou que foram extraídos pelo dentista podem ser reutilizados nas faculdades de odontologia para ensino e pesquisa”, comenta.

A doutoranda em odontopediatria Karla Mayra Rezende lembra que as células-tronco encontradas na polpa dos dentes de leite podem se transformar em outras células capazes de formar dentina, substância do dente, bem como osso, cartilagem, vasos sanguíneos e até neurônios. O dente é formado por esmalte, dentina e polpa. Na Universidade de São Paulo (USP), as pesquisas estão sendo realizadas com cobaias e os resultados são bastante promissores. “Estimamos que em cinco a 10 anos as células-tronco poderão ser usadas em humanos”, avalia.

Como a célula-tronco está na polpa do dente, é necessário tomar uma série de cuidados para que a doação seja efetiva. Ao cair, o dente deve ser colocado em uma solução que permita a cultura de células. Em casa, pode ser usado o soro fisiológico. “O dente que caiu deve ser colocado na solução e levado para o laboratório”, ensina. O prazo máximo é de 24 horas. Depois desse tempo as células morrem. Mesmo assim, os dentes de leite continuam sendo importantes para a pesquisa e podem ser encaminhados para os bancos de dente humano, nas faculdades de odontologia. Quem é adulto e tem os dentes de leite guardados ainda pode doá-los para os bancos de dentes humanos.

A informação foi publicada no site Odonto Magazine. Para ler a matéria na íntegra, clique aqui